O xeque-mate

Eles caminham pelo tabuleiro do mundo com passos de mármore,
erguidos sobre tronos que não lhes pertencem,
fantasiados de reis em um jogo que mal compreendem.

Esquecem que nasceram peões.
Esquecem que todo poder emprestado tem prazo.
Esquecem que quem olha apenas para baixo
enxerga apenas sombras,
e trata os outros como peças descartáveis.

Eles acreditam que estão no topo porque só contemplam o abismo.
Confundem altura com arrogância,
mandato com eternidade,
obediência com silêncio.

Mas todo tabuleiro tem um céu acima.
E acima desse céu existe um Rei que não aparece em noticiários,
não disputa cargos,
não legisla por decreto,
não teme aplausos nem vaias.

Um Rei que move peças com a leveza do vento
e com a precisão de quem conhece
cada queda antes da queda,
cada abuso antes do abuso,
cada fim antes do começo.

Os falsos reis acham que vencem porque avançam casas.
Não percebem que o xeque-mate deles
já está desenhado há muito tempo,
em linhas que só se tornam visíveis
para quem aprendeu a olhar para cima.

E nós, que caminhamos na borda das regras,
que sangramos em silêncio,
que enxergamos as frestas,
nós sabemos que a justiça humana falha,
treme, hesita, se perde.

Mas a Justiça Divina?
Essa não erra.
Essa não se apressa.
Essa não esquece.

Ela espera o momento exato.
E quando chega,
não precisa derrubar peças,
apenas vira o tabuleiro.

Porque no fim, o jogo nunca foi deles.
E o xeque-mate…
o xeque-mate é sempre dEle.



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